A dica de hoje é sobre esse livro que traz a proposta de como repensar seu negócio para a era digital. Essa é a pergunta que vem tirando o sono de muitos CEOs, dirigentes e gestores de empresas diante da quantidade e profundidade das mudanças no ambiente de negócios nos últimos anos. Especialmente para negócios estabelecidos antes da virada do milênio, esse cenário tem se mostrado bastante desafiador. Migramos há tempos do mundo analógico para o digital, em que o ritmo é bem mais frenético, e os resultados, incertos (“deal with uncertainty” cada vez mais presente). O Covid acelerou essa processo, mas muitos gestores ainda precisam de ajuda nessa jornada.
Na era das grandes plataformas, se reinventar se tornou essencial para se manter na mente e corações dos clientes. No livro Transformação digital, David compartilha uma estratégia estruturada para empresas que buscam se transformar e inovar para se manterem competitivas.
O livro aborda o caminho para repensar o seu negócio para a era digital e como as regras do jogo mudaram. Com a autoridade de quem vem ajudando empresas relevantes a fazerem sua transformação digital, muitos casos práticos e com o conhecimento de quem dirige os programas executivos de Digital Business Strategy e Digital Marketing na Columbia Business School, David L. Rogers propõe uma análise profunda do que denomina “os cinco domínios da Transformação Digital” e como esses são mutáveis. Ele aborda cada um desses temas em um capitulo dedicado. Aqui um breve resumo:
- Clientes – o tão importante “Customer Centric approach” e a jornada do cliente. É fundamental as empresas se prepararem para acessar, engajar, customizar, conectar e colaborar em suas estratégias. O autor dedica um capitulo para tratar a melhor forma de explorar as redes de cliente e conclui que a comunicação entre empresa e clientes flui em mão dupla e os clientes são o principal influenciador das decisões. O marketing serve para inspirar a compra, a lealdade e a defesa da marca pelos clientes e a TI deve suportar cada etapa dessa jornada.
- Competição – Ela se dá entre diversos setores (empresa de varejo competindo em logistica, intituição finaneira no mercado de mobilidade urbana last mile, etc) e com distinções cinzentas entre parceiros e rivais. Concorrentes cooperam em áreas-chave e os principais ativos situam-se em redes externas com o uso de plataformas com parceiros que trocam valor. Ainda vemos a abordagem “The Winner Takes It All” mas essa tendencia tende a mudar com maior colaboração e novos modelos de negócios;
- Dados – São gerados continuamente em todos os lugares (ubiquidade) e o desafio é convertê-los em informações valiosas que possam gerar decisões acertadas (Insight Driven organizations). Os dados não estruturados são cada vez mais úteis e valiosos e seu valor está em conectá-los entre os departamentos de cada empresa. Os dados são ativo intangível importante para criar valor aos negócios;
- Inovação – As decisões para inovar são tomadas com base em testes e validações – o teste de ideias é barato, rápido e fácil. Os experimentos são contínuos e devem contar com a participação de todos. O desafio aqui é resolver o problema certo, mas os fracassos são fontes precursoras e baratas de aprendizado (Fail fast – learn quickly).
- Valor – A proposta de valor definida pela evolução das necessidades dos clientes. As propostas de valor devem ser adaptadas continuamente, de modo a satisfazer os anseios dos clientes, em constante mutação. A chave é descobrir a próxima oportunidade de criar valor para o cliente. O autor traz um conceito muito interessante de “Trem de Valor” competitivo para avaliar a competição e o poder entre a empresa e seus concorrentes, parceiros e rivais de negocio. Um ex a seguir:
Com esse framework, o autor consegue organizar o raciocínio em torno do tema e pavimentar o acesso à sua implementação. Importante notar como o autor afirma que o futuro não se trata de startups comprando empresas estabelecidas (apesar de ser bastante comum hoje em dia) e sim, sobre novas estratégias de crescimento, mudança de velhos hábitos e modelos de negócio que substituem seus antecessores, à medida que as empresas tradicionais aprendem nova maneiras de operar.
O livro traz ainda cases interessantes de inovação por experimentação rápida, a grande vantagem em se construir plataformas (como marketplaces e midias sustentadas por anúncios) e não somente produtos. O meu preferido tratando como as empresas devem converter dados em ativos estrategicos (e a importancia de uma estrategia de dados e o paradigma de valor com insights, segmentação, personalização e contexto) e ainda um rico material de modelos de experimentação rápida (testes A/B, hipotese causal, grupo de testes, importancia do MVP, etc) e proposta de valor (e a capacidade de adaptação das empresas).
Em outro capitulo o autor trata dos modelos de negocios disruptivos e no final, é apresentado ainda um modelo de autoavaliação para checar se sua empresa está preparada para a transformação digital com um novo olhar sobre o pensamento estratégico e agilidade organizacional.
Uma leitura obrigatória, com vários métodos práticos, que ajudará empresas mais consolidadas – que não podem mais se dar ao luxo de se manterem relevantes por sua história passada – a lidar com a revolução digital e as rápidas transformações, desenvolvendo um mindset para alcançarem a agilidade organizacional e a criação de valor contínuo. Espero que gostem!